Profissionalismo num clube pouco profissional

Parabéns! Não ao Vitória de Setúbal... mas sim aos seus jogadores! Uma equipa que se viu privada de jogadores como Jorginho, Manuel José, Meyong e Hugo Alcântara... não recebendo um único tostão pelas suas saídas! Um clube com graves problemas financeiros que ao viver ainda na ressaca da conquista da Taça de Portugal, se precipitou numa política de contratações melindrosa, ao recrutar vários atletas estrangeiros... no estrangeiro! Um clube que pouco ou nada aproveitou dos escalões de formação, mas ainda como se não bastasse a falta de fundos para o que quer que seja ainda se deu ao luxo de constituir uma equipa B!!! Má gestão! Chumbita Nunes, presidente do Vitória, quase despediu Norton de Matos, ainda no 1º mês da prova quando o técnico veio a público divulgar a falta de vencimentos que o plantel reclamava... Má conduta!!! Um presidente que desmentiu tudo para semanas depois dar a conhecer a realidade setubalense aos «media»... a situação era bem mais grave do que se fazia pensar! Jogadores que transitaram da época passada para esta, já tinham ordenados em atraso, e ainda se foi contratar jogadores a França e ao Brasil!!! Que lógica é esta??? Esses tais reforços receberam um ordenado e mais alguns tostões desde que chegaram a Portugal... e já estamos quase no mercado de Inverno! É surreal... O presidente não acha soluções, nem se demite...
No reverso da moeda estão os jogadores. Com um plantel à partida, curto, com pouca profundidade, sem elementos desequilibradores... o V. Setúbal era apontado como um dos favoritos à luta pela manutenção. Hoje, à 14ª jornada, o Vitória soma 29 pontos, 9 vitórias e 2 empates... e contabiliza apenas 3 golos sofridos, sendo já a melhor defesa da europa!!! Norton de Matos incutiu no grupo um espírito de equipa que já não via há muito num clube, capacidade de combate, e sobretudo muita... muita coesão! Os jogadores esfolam-se em campo, não jogam muito nem jogam bonito, mas dão tudo o que têm nos 90' de jogo! Os atletas reclamam... o treinador dá a cara... o presidente esconde-se! É esta a realidade sadina! Um presidente cobarde, um treinador corajoso e um plantel 100% profissional! Muitos destes jogadores terão já mercado assegurado na reabertura do defeso, e o Vitória provavelmente irá sucumbir e as derrotas tornar-se-ão algo normal, mas sendo o objectivo sadino a manutenção, estão a apenas 8 pontos de a assegurar... Notável! Oxalá o mundo do futebol se guie por este exemplo... PARABÉNS VITÓRIA!

2 Comments:
Excelente post, com o qual concordo absolutamente. Este presidente é totalmente desprovido de carácter, e agora deve querer desfrutar do sucesso que a equipa está a ter, tendo sido ele um contraponto a esse mesmo sucesso pelas razões já aventadas. Vou repetir o meu colega Bruno Touré, mas necessito de dizer estas palavras. Primeiro para Norton de Matos, o contrário do seu presidente, um homem que para além de estar a ter um excelente desempenho, demonstrou que tem personalidade acima de tudo. E para os jogadores do Vitória tudo! Tudo mesmo. Estes jogadores, trabalham sem receber. Esfalfam-se sem sustento. Muitos jogadores que recebe milhões não se esforçam o que podem na sua profissão e os jogadores do Vitória, que claramente não têm milhões anteriores que os sirva de suporte no sustento próprio e familiar, passam dificuldades no seu dia-a-dia, e continuam a representar o seu clube condignamente. O Vitória de Setúbal é um histórico do futebol português, e estes jogadores merecem vestir esta camisola e prestigiam o clube. Chumbitas Nunes rua já!
11:51 p.m.
O Vitória de Setúbal vem protagonizando uma situação inédita no futebol português. Uma equipa de qualidade média excede-se. Mas, numa situação particular: a entidade patronal está em crise financeira aguda e prestes a abrir falência.
Nada que seja explicado com a excelência do treinador e dos seus métodos. Com condições de trabalho e objectivos bem delineados. Não.
Os jogadores, com salários em atraso, já perceberam que a sua luta não é pela recuperação do que está perdido (os seus salários em atraso e isso ficará para depois, para os tribunais) e então, ao invés de se “enterrarem” ainda mais, em greves de protesto por algo que nunca vão conseguir, fazem o inverso: excedem-se e mostram-se. A quem? Aos seus futuros empregadores.
Os jogadores e treinador do Vitória já sabem que nada de bom se lhes espera no Vitória. Assim, trabalham (e bem) para o seu futuro. Em Janeiro, com a reabertura do mercado, estarão livres contratualmente e terão novos patrões. Novos contratos. Mais seguros e tanto melhor pagos quanto melhor for a sua prestação até à respectiva assinatura.
Já viram o efeito na produtividade quando que há insegurança no emprego?
Desde que a atitude seja a correcta e não se enverede por greves inúteis…
O mesmo efeito se verifica nas últimas 5 jornadas de cada campeonato. Muitas equipas de menor qualidade excedem-se e fogem, nas últimas, à despromoção. Porquê? Porque os jogadores precisam de se mostrar para lutarem por novos contratos (no actual ou futuros clubes).
6:30 p.m.
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